O que diabos é inflação? Parte 1 de 2.

Impulsionado pelas campanhas eleitorais, que muito discutem a respeito da inflação, resolvi tentar explicar, entre um ataque e outro, de maneira mais popularesca possível, o que diabos é inflação.

No academiques, inflação é a variação percentual do nível de preços de uma cesta de bens entre dois períodos. No caso do Brasil a maioria dos índices é mensurado mensalmente. Palhaçada pura! O que é inflação no popular? Inflação é o quanto o preço das coisas que você compra cresceu de um mês para o outro.

Sim é só isso! Mas isso tem um impacto e tanto no seu “rico dinheirinho” (PATINHAS, Tio). Eu vou tentar explicar o que é, como é calculado e de que modo impacta no seu orçamento. Farei isso em duas partes porque até eu, que sou ministro da fazendinha, sei que esse tema pode ser mais chato que horário eleitoral.

Antes de tudo, devo dizer que, no Brasil, diversas instituições calculam um índice de inflação: FGV, FIPE, IBGE e outras. São muitas instituições e diversos índices, ao produtor e ao consumidor. Esses índices são herança de um período que o Brasil viveu a hiperinflação (super hiper alta dos preços) e todo mundo queria saber o quanto antes os preços da economia haviam crescido.

A inflação oficial do país é o IPCA, calculado pelo IBGE. É este indicador que é anunciado pelo Willian Bonner, o que já o tornaria oficial, mas também é o índice que é usado pelo governo para parte das metas de estabilização econômica.

Como eu vinha dizendo, a inflação é a variação dos preços de uma cesta de bens (genérica para o Brasil) ao longo do tempo.

Essa cesta de bens, no caso do IBGE, é pautada na POF (Pesquisa do Orçamento Familiar). É simples, vou dar um exemplo: os funcionários do IBGE saíram da IBGE-caverna e foram para as ruas fazer uma pesquisa nos domicílios. Nessa pesquisa eles batem na casa das famílias e perguntam, dentre outras coisas, sobre o que é consumido nas residências.

Então o IBGE usa o resultado desta pesquisa (POF) para fazer uma lista do que foi mais consumido pelas famílias.  A partir de então começa a medir o preço dos itens que foram mais respondidos (consumidos) entre os pesquisados.

Agora ficou confuso, vou dar outro exemplo: vamos supor que João e sua família sejam pessoas simples e consumam apenas 4 itens num mês: balas, cigarros, bebidas e carne. São simples, mas gostam de uma festinha. De um salário de R$100 eles gastam R$25 com cada item.

Agora vamos supor que o Brasil todo ganhe R$100 e os gaste da mesma maneira que o João.

Desta forma o IPCA seria composto por estes 4 itens, pois representam uma “cesta” de consumo do brasileiro.

Então, o IBGE passaria a pesquisar nos mercados (quitandas, vendinhas, mercearias, etc), quase que todo dia, o preço destes itens que compõe a “cesta”. Se em um mês cada deles custasse R$1 e no mês seguinte a bala custasse R$1,10, o cigarro custasse R$1,20, a bebida custasse R$ 0,90 e a carne continuasse o mesmo R$1,00, a variação de cada um, de um mês para o outro, seria: Bala +10%; Cigarro +20%; Bebida -10% e; Carne 0%.

Mas e a inflação? Como o IBGE agrega essas variações? Também é fácil. Lembra que eu disse que a família brasileira gastava R$ 25 em cada um dos itens? No próximo passo, eles farão uma ponderada agregando as variações com os gastos como peso. O nome é feio, mas vocês verão que não é nada demais.  Como os R$ 25 consumidos em cada item representam 25% do orçamento, essa será a proporção que o IBGE aplicará em cada um deles para agregar as variações. A tabela abaixo vai ajudar:

inflation

Se você está se perguntando se aquela célula verde é a inflação, a resposta é sim! Eu simplesmente multipliquei a variação de um item entre dois meses sequenciais (coluna A) pelo respectivo peso no orçamento (coluna B) e obtive a contribuição de cada um (coluna AxB). Depois disso eu só somei tudo (célula verde). Mole de entender.

Mas e na realidade? A realidade é isso ai mesmo, só que ao invés de 4 itens, a lista  tem 373 (precisamente). Têm de tudo na lista oficial do IBGE, desde os quatro itens que eu usei de exemplo até aluguel, pacote de internet, aparelho celular, mensalidade escolar, remédios e etc.

De tempos em tempos o IBGE refaz a pesquisa (POF) afim de atualiza-la e ver o que mudou na “cesta” de consumo dos brasileiros. Por exemplo: antigamente fralda de pano fazia parte do orçamento das famílias, hoje não faz mais; Videocassete também saiu; por sua vez Computadores passaram a fazer parte da lista; e assim vai.

Na sexta-feira eu explicarei a evolução da inflação nos últimos meses e como esse “mini-dragão” queima seu salário se ficar descontrolado (em aceleração). Até lá.

5 comentários sobre “O que diabos é inflação? Parte 1 de 2.

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